ReSa

English | Brasileiro

Artigo - Evolução

Imagine-se como uma formiga percorrendo uma mola. As molas têm uma estrutura interessante pois são como circulos abertos, sobrepostos e conectados entre sim em dois pontos. Cada circulo aberto da mola está conectado a dois outros cículos, uma acima e outro abaixo. Esta interessante estrutura da mola, também chamada de helicoidal (por representar aquilo que se estabelece por repetidos movimentos circulares, em espiral), possibilita que a mola tenha a capacidade de se estender ou se contrair, voltando naturalmente à sua posição normal de descanso.

Mas não são estas as características mais interessantes a nos chamar atenção quando nos imaginamos como uma formiga percorrendo helicoidalmente uma mola. Se observamos o nosso percurso de formiga na mola, poderemos observar que começamos em um ponto, alcançamos um ponto mais alto, em seguida descemos um pouco de maneira a nos dar a impressão que voltamos ao ponto de origem, para em seguida subir mais acima e por ai seguimos, em um gradativo movimento de vai e vem (de altos e baixos), até que atingimos o outro extremo da mola.

Este modelo simples de percurso, o do movimento helicoidal, pode ser aplicado em diversas outras circunstâncias como a vida de um indivíduo, a evolução de uma espécie e até mesmo a moda. Vejamos.

Uma pessoa que está em pleno desenvolvimento profissional, vai se deparar diversas vezes com situações a qual, por vontade própria ou não, se vê levado a abandonar ou abrir mão de todas as conquistas feitas para, em uma suposta perda, reconquistar à frente tudo que havia perdido e ainda mais.

Assim também ocorrem com as especies que desaparecem para dar espaço para o surgimento de novos representantes mais evoluídos.

No amor muitas vezes sofremos derrotas e decepções para à frente, percebermos que surgem melhores situações que seriam impossíveis de se vivenciar se estivéssemos como formigas paradas em um determinado ponto da mola.

E a moda? Esta então segue um nítido movimento helicoidal com o retorno de adereços, artefatos e características que foram sucesso a três décadas atrás e, consideradas cafonas nas duas décadas seguintes. Hoje, por exemplo, vemos o retorno das calças “boca de sino”, dos óculos de coruja (que eu pessoalmente continuo achando cafona) e que, a três ou quatro décadas fizeram sucesso e eram considerados abominação a duas décadas.

Mas assim como no movimento helicoidal, este “resgate do antigo” é só aparente. Da mesma maneira que relatamos que a formiga ao fazer o percurso helicoidal nos dá a impressão de voltar ao ponto de origem (por percorrer a parte inferior do círculo aberto que compõe a mola), assim também, no exemplo da moda (as calças, os óculos e os hábitos), dos amores e das espécies são releituras e adaptações melhoradas às suas versões pregressas.

Assim, a evolução ocorre helicoidalmente de “altos e baixos”, “indas e vindas” que nos possibilitam, sabiamente, não perder o referencial da caminhada uma vez que temos a oportunidade, com os “altos” de perceber que evoluímos e, com os “baixos” de perceber o quanto não somos mais os mesmos.

 

Publicação: Jornal O Diário - p.2 - 24/07/2014 - Campos dos Goytacazes - RJ - Brasil