ReSa

English | Brasileiro

Artigo - O Tempo

  • Público
Por andre uebe 792 dias atrás

 

    Albert Einstein, físico nascido na Alemanha já dizia que o tempo como o percebemos é uma ilusão. Ou seja, passado, presente e futuro são apenas percepções limitadas de nossos sentidos, assim como ocorre com o alfato, a visão etc.

    E assim como no olfato, na visão, no paladar, sabemos de espécies vivas que têm estes sentidos muito mais aguçados que os nossos. Como exemplo temos os pássaros, que conseguem enxergar a radiação ultravioleta (UV), que é invisível ao olho humano, possibilitando imaginar que, possivelmente, aos olhos dos pássaros o nosso mundo se pareça muito mais “colorido”. Outro exemplo são os cães, cujos órgãos auditivos captam frequências sonoras duas vezes maiores que a de nossos ouvidos. E os elefantes que, graças a capacidade de ouvir frequências sonoras mais baixas que se propagam por distâncias maiores, são capazes de se comunicar a distâncias em torno de quatro quilômetros.

    Alguns outros animais, como por exemplo as cobras cascavéis, tem sentidos que nós humanos não temos, como o provido por um órgão que lhes dá capacidade de “enxergar” o calor emanado por suas presas. Já os tubarões e as raias possuem um órgão sensorial que capta os campos elétricos que emanam de suas presas, assim como o ouvido humano capta as ondas sonoras. E ainda temos o exemplo de abelhas e trutas que têm a capacidade de sentir o campo magnético da terra e se beneficiar deste recurso para servir de “bússola” de orientação espacial.

    Por meio destes exemplos, podemos compreender que a parte de nosso cérebro que nos permite ter a noção de tempo, assim como os nossos outros sentidos, nos dá apenas uma percepção parcial e aproximada da realidade. E, muitas vezes, bem parcial.

    O pesquisador canadense Rob Bryanton em seu livro “Imagining the Tenth Dimension” (Imaginando a Décima Dimensão), ainda sem tradução para o português, propõe que assim como a fotografia capta um instante de uma realidade em movimento, o instante a qual chamamos de presente é apenas um momento de uma realidade em movimento. O presente seria uma “fatia” da existência em uma linha de tempo, assim como a fotografia é uma “fatia” de um filme em movimento, por exemplo. Bryanton explica, como maneira de ajudar no entendimento, que devemos pensar nossa existência como uma longa minhoca (ou corredor) onde o presente é apenas um fragmento. E que dada a nossa limitada capacidade de percepção desta existência, não conseguimos enxergá-la como um todo, mas apenas como uma sequencia individual de fotografias (chamada presente) que corre em um sentido único (em direção ao futuro).

    Percebam que não necessitamos de enxergar uma árvore em suas partes componentes isoladamente - galhos, folhas, raíz etc - para compreendê-la em sua totalidade. E esta totalidade nos permite aceitar melhor a existência da árvore. Pense, agora, como seria difícil imaginar como seria uma árvore, se nunca tivéssemos visto uma, a partir de um galho com folhas, apenas.

    Assim como seria difícil para alguém que nunca viu uma árvore imaginar como ela seria a partir de uma de suas partes, também para nós é difícil imaginar o tempo como um todo, uma vez que percebemos apenas partes isoladas do mesmo.

    E assim como não poderíamos negar a existência de uma árvore como um todo, somente por que só conhecemos suas partes isoladas, assim também não é sensato ignorar que o tempo pode ser um todo, uma vez que só conhecemos as partes que o compõem (passado, presente e futuro).

 

Publicação: Jornal O Diário - p.2 - 14/08/2014 - Campos dos Goytacazes - RJ - Brasil