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Artigo - Ambição e Ganância

 

 A ambição é o desejo humano de querer algo e lutar obstinadamente para realizar este desejo. É em um contexto geral, é o desejo pelo poder.

Quando se evidencia o aspecto da ambição como o desejo pelo poder, inicia-se uma discussão sobre o fato da ambição ser ou não algo bom. Para alguns, não se pode tirar algo de bom quando o ser humano busca mais poder. Para outros, sem a ambição, a humanidade padeceria na inercia destruidora.

Olhando por este segundo aspecto, a ambição é algo positivo no sentido em que permite que os indivíduos busquem algo mais além da realidade que lhes é presente. Podemos citar alguns exemplo como o fato de que a ambição, quanto postura social levou às grandes descobertas, como a conquista de novos espaços geográficos (por exemplo a descoberta do continente americano, pelos europeus), assim como a conquista de novas drogas que possibilitaram o aumento da expectativa de vida e a cura de doenças (como a penicilina, poderoso antibiótico descoberto ao acaso, pelo médico e bacteriologista escocês Alexander Fleming).

Vemos que a ambição em si não representa um problema. O que a torna prejudicial é quando esta busca pelo poder leva o indivíduo a adotar posturas e ações que são prejudiciais a outras pessoas. Quando esta situação acontece, o que temos caracterizado é a ganância.

Em uma análise superficial, a ganância seria uma manifestação negativa da ambição. Seria a ambição egoísta, o desejo de poder só para si (e não para um bem maior) e, consequentemente, prejudicial aos demais indivíduos.

A ganância manifesta seu prejuízo em diversas mazelas individuais ou humanas. Temos como exemplo as guerras, os genocídios, os assassinatos, a calúnia, as intrigas e todo um desfiar de contas de atitudes e posturas do mais baixo e torpe escalão.

Quando o indivíduo, levado por seus instintos mais negativos, deixa a ganância direcionar seus atos, as consequências levam, na maioria das vezes, a consequências desastrosas para os outros e também para si.

Ilustrando este fato podemos citar um exemplo a partir de uma reflexão do filósofo Pietro Ubaldi: imagine um indivíduo rico que para promover o bem estar e segurança de um filho, explora e massacra o povo à sua volta. Este tolo pai não enxerga que em vez de fazer um bem, faz um mal ao filho ao colocá-lo em um pedestal cercado de mazelas. Mais sábio seria cuidar do entorno onde seu filho está para que, futuramente, o entorno cuide do seu filho quando este pai não mais se fizer presente.

Infelizmente, esta percepção não é o senso comum. Sociedades e classes inteiras caíram por conta desta falta de percepção. Um exemplo foi a aristocracia francesa, derrubada pelo povo que não aguentava mais sofrer. E quanto a nós? Como pensamos ou agimos?

 

Publicado - jornal O Diario - Campos dos Goytacazes - RJ - 11/09/2014